Governo no Futuro — Liberalismo Clássico

Algumas das ideias principais do livro “Government in the Future”, de Noam Chomsky no que concerne ao liberalismo Clássico.

O liberalismo clássico sublinha como sua ideia principal uma oposição a todas as formas de intervenção do estado excepto as mais restritas e mínimas na vida social e pessoal.

O estado é uma instituição profundamente anti-humana.” i.e. as suas acções, a sua existência é, em última instância, incompatível com o potencial de desenvolvimento harmonioso nas suas mais ricas diversidades, uma vez que é incompatível com o que Humboldt e com o que no século seguinte Marx, Bakunkin, Mill e muitos outros viram como a verdadeira finalidade do homem.

O principal atributo do homem é a sua liberdade. Cito: “Inquirir e criar, estes são os centros sobre os quais todas as buscas humanas, em certa medida, directamente giram.

O cultivo do conhecimento, tal como outras faculdades do homem, é geralmente alcançada pela sua própria actividade, o seu próprio engenho, ou os seus próprios métodos de usar as descobertas dos outros.”

A liberdade é inquestionavelmente a condição indispensável sem a qual as buscas mais congénitas para a natureza individual do homem nunca possa ter sucesso em produzir tais influencias salutares. Tudo aquilo que não surja da vontade livre do homem, ou é apenas do resultado de instruções ou orientação, não entra no seu mais profundo ser mas sim aliena a sua verdadeira natureza. Este não o executa com verdadeiras energias humanas, mas meramente com exactidão mecânica. E se um homem age de uma maneira mecânica, reage a obrigações externas ou a orientação, ao invés de maneira determinada pelos seus próprios interesses, energia e poder, então podemos admirar o que ele faz, mas desprezamos o que ele é.”

O homem “nasce para inquirir e criar e quando um homem, ou uma criança, escolhe inquirir ou criar da sua própria vontade então este se torna, nos seus próprios termos, um artista em vez de um instrumento de produção ou um papagaio bem treinado.”

Esta trabalho alienador lança alguns dos trabalhadores de volta a um tipo de trabalho bárbaro, transforma outros tantos em máquinas e, portanto, priva o homem do carácter da sua espécie, de actividade consciente livre e de uma vida produtiva.”

A democracia com o seu modelo de igualdade de todos os cidadãos perante a lei e o liberalismo com o seu direito do homem à sua própria pessoa [auto-propriedade] seriam desfeitos pelas realidades da economia capitalista. Humboldt não previu que em uma economia capitalista predadora a intervenção do estado seria uma necessidade absoluta para preservar a existência humana e para prevenir a destruição do ambiente físico.

“É a impossibilidade de ganhar a vida de qualquer outra maneira que obriga os nossos lavradores a cultivar o solo cujos frutos não irão comer e os nossos pedreiros a construir edifícios nos quais não irão viver. É a necessidade que os arrasta para esses mercados onde lhes esperam senhores que terão a amabilidade de os comprar. É a necessidade que os obriga a que se ponham de joelhos perante o senhor rico pedindo-lhe permissão para enriquecê-lo. Que ganho efectivo lhe trouxe a supressão da escravatura? Ele é livre, podes dizer, e esse é o seu infortúnio. Estes homens, é dito, não têm senhor. Eles têm um e o mais terrível, o senhor mais imperioso: que é a necessidade. É isto que o reduz à mais cruel das dependências.”

[ao que] Fourier se referiu como a terceira e última fase emancipatória da história. A primeira passou os escravos a servos, a segunda passou os servos a assalariados e a terceira que irá transformar os proletários em homens livres, eliminando o carácter mercantil do trabalho, acabando com a escravatura assalariada e colocando as instituições comerciais, industriais e financeiras sob controlo democrático.

“Mesmo que quebrassem todas as correntes da sociedade humana, tentariam encontrar, ao máximo que pudessem, novas formas de servidão; o homem isolado não é capaz de se desenvolver mais que aquele que está acorrentado.”

A sua doutrina é que as funções de estado devem ser drasticamente limitadas. Mas esta caracterização é bastante superficial. Indo mais a fundo, a visão clássica liberal desenvolve-se a parir de um conceito de natureza humana, um conceito que sublinha a importância da diversidade e da criação livre. Assim, esta visão está em profunda oposição ao capitalismo industrial com a sua escravatura assalariada, o seu trabalho alienador e os seus princípios hierárquicos e autoritários de organização social e económica.

Pelo menos na sua forma ideal, o pensamento clássico liberal está, também, em oposição aos conceitos de individualismo possessivo que são intrínsecos à ideologia capitalista. Busca eliminar as correntes sociais e substituí-las por laços sociais, não por codícia competitiva, não por individualismo predatório, não por, evidentemente, impérios corporativos do estado ou privados. O pensamento liberal clássico parece-me, portanto, levar directamente ao socialismo libertário ou anarquismo, se preferis, quando combinado com a compreensão do capitalismo industrial.

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