Quando Portugal Arde

O título sugere o imperdível livro de Miguel Carvalho que deixa escancaradas as portas obscuras do terrorismo patrocinado pelo “arco da governação”, mas este texto é sobre outro tipo de terrorismo mais recente.

Este fim de semana apareceu mais uma notícia de um fogo no centro de Portugal. Até aí, nada de estranho, porque é o costume nestes meses do ano. Não me interessei, passei à frente até porque não se falava nada de especial. Mais tarde leio que morreram mais de 50 pessoas, que o Presidente da República já se encontra no local e que este afirmara que nada se podia fazer e que tudo o que se podia ter feito foi feito.

De repente começamos a ter noção da tragédia, como casas e casas e aldeias ficaram rapidamente isoladas com as suas populações vetadas completamente à sua sorte sem o auxílio de bombeiros, polícia ou técnicos de saúde.

Imediatamente surge a Polícia Judiciária a afirmar de que se tinha tratado de uma causa natural — que estanho que se chegue a uma conclusão desta natureza tão rápido, quando em Portugal é sempre preciso anos para chegar-se a uma conclusão, não? — algo que imediatamente o presidente do concelho local pôs em questão e também hoje o presidente dos bombeiros faz o mesmo.

Aparentemente tudo falhou — coordenação, prevenção, a não colocação em prática das decisões tomadas pelas entidades competentes, falta de meios humanos e técnicos.

O nível de ridículo chega ao ponto da comunicação social anunciar a queda de um avião de combate a incêndios, confirmado pelas autoridades e uma hora depois em um briefing das forças estatais no incêndio dão o dito por não dito e dizem desconhecer qualquer queda de avião.

Mais que uma tragédia humana os incêndios em Portugal tornaram-se um negócio que gera dinheiro a uns poucos poderosos: O eucaliptal, que gera madeira rapidamente à custa da imensa água que drena, é um. Uma árvore que é como um rastilho de pólvora.

Mas o mais importante é o dinheiro e os interesses que gera a existência de fogos — a começar nos próprios bombeiros até às empresas privadas que prestam auxílio no socorro. Afastaram a Força Aérea para contratar empresas privadas? Que sentido tem isto se não o favorecimento e troca de favores?

E por que não se faz prevenção? Por que não se limpam as matas e investem em vigias florestais? Pois, o que interessa é que arda.

A culpa é deste governo? também, mas igualmente de todos os outros. E ver a direita a tentar tirar dividendos desta catástrofe dá-me logo vómitos.

A vergonha continua, mas desta vez saem todos muito mal na fotografia e isto já começa a ter dimensão internacional. Que rápidos foram os da PJ a vir declarar que foram causas naturais e o estado a declarar que nada se podia fazer, não? De rir.

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